domingo, 14 de setembro de 2008

Juricidade

Reflexões depois de um semestre de monitoria: Lyra Filho e Kelsen.

Um não kelseniano:A lei como fundamento do Direito sempre é uma forma mal vista. Pensar o direito como norma já é, mais uma vez, uma maneira de ampliar as compreensões sobre o Direito. A lei não é o texto legislativo nesse sentido, é qualquer regra de conduta. Mas uma leitura desses pensamentos podem mobilizar o direito para a compreensão de que a norma estatal é a única forma de produção jurídica.
Enganado é quem pensa assim. Se pensarmos o direito como um fenômeno universal, possível de se encontrar em qualquer estrutura, então o mundo jurídico não pode se restringir ao Estado. As tribos, as sociedades ditas tradicionais, são ou não são regidas por normas de conduta? Num pensamento em que se há livre-arbítrio, na qual as pessoas não cumprem todas as normas da sua sociedade (os tabus são feitos para serem rompidos de vez em quando), então há direito no mundo não-ocidental ou não estatal.

Um não Direito achado na rua:
Eu não consigo ver o Direito como fenômeno de liberdade e emancipação. Não acho que o Direito seja isso. Acho que direito pode também ser fenômeno de dominação. Mas, mesmo que não concorde com a dominação, ele não deixa de ser Direito.
Ciência sem ética não deve ser ciência, porém, é que essas concepções do Direito acabam por possibilitar qualquer coisa. Ou eles podem possibilitar nada. Pensar num conhecimento de ciência “pura” é melhor do que uma ciência ideologizada? Lyra diria que não, que é melhor pensar que o Direito só pode ser uma coisa, ou seja, emancipação e libertação.


Por mais que eu discorde disso, parece-me que unir os tipos ideais de ciência e política decorre numa prática social mais adequada. Para isso, Kelsen (não) deve ser lido através das lentes de um político. Talvez as teorias propostas de produzir um Direito democrático e procedimental seja importante.

O Direito deve ser valorizado.

Até então, tudo bem; juricidade tendente a moralidade faz bem. Mas dizer que a lei é produto de dominação, creio eu, é algo bem idiota. Eu penso no paralelo dos movimentos operários do século XIX: Existia dominação dos industriais sobre eles. O que fazer? Destruir as máquinas. É necessário destruir as leis?

Aí o direito achado na rua se torna um idiota.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Meus problemas psicológicos


Tenho lido Freud por tabela. A problemática é apresentada nas discussões sobre cultura, que influencia nas clivagens da estrutura social. Os zulus e os europeus da África do Sul são distintos, mas ao mesmo tempo cooperativos. Os europeus compram o boi dos zulus, enquanto estes vendem. As interpretações são diversas; o europeu pensa "eu faço eles terem inserção no mundo, eles poderão pagar seus tributos". O zulu, mesmo que venda voluntariamente seu boi, pensará: "eles querem que eu perca o gado [meu status]".

Eu tenho trazido Freud para meu indivíduo, num estica e puxa. Uma análise, que em princípio tem como unidade o self, é transformada em análise de culturas para depois refletir sobre mim. Qual evento pegar? Qualquer um, pois eu já tenho certa noção da minha situação na estrutura familiar (aliás, esta é ainda primordial na minha cabeça, mesmo que eu seja um ocidentalzinho periférico). Só que falar de coisas que me angustiam aqui é por demais exposição e eu tô tão magoado que auto-sociologia me faz mal pra caralho.

A Universitários Vão à Escola seria um belo evento. Aqui há uma confluência de discursos: "Alexandre, você tá se distanciando do seu curso, você não vai mudar o mundo". "Vocês querem que eu seja um trabalhador braçal, vocês vêem a UVE como uma porta pra um Alexandre submetido a uma vida modéstia". Mas eu não estou exterior a esses discursos e, por mais que eu ache que sou o coitadinho da história, eu não tenho forças para afirmar isso.

GLUCKMAN, Max. Uma análise social sobre a Zuzulândia Moderna. In: BIANCO-FELDMAN, BEla. Antropologia das sociedades modernas.

PS: Não vou chorar com dor de cabeça. Isso me faz mal.